Poesia
Escrito por António Ferreira Gomes   
                            

Queiriga

 

Queiriga, ondulante nas searas,

Queiriga aconchegada p'los pinhais,

Aldeia dos meus cantos e meus ais

Em ti sempre me acolhes e amparas!

 

Antiga, no teu dólmen dos Juncais

Mostras, com vaidade, as pedras raras!

Nova, nos teus prédios, obras caras,

És sempre tu famosa entre as demais!

 

Longe de ti, aspiro a ti voltar.

Quando contigo, aspiro por ficar,

Pois tudo o que há de bom em ti se encerra.

 

Queiriga, onde passei a juventude,

À sombra da Senhora da Saúde.

Queiriga amada, és tu a nossa terra!

 

António Ferreira Gomes,

in "Voz da Queiriga", Maio,1969

 

 
Escrito por António da Costa   
 

 

 
                                

Ser Emigrante

 

Ser emigrante é honra, é brio, vontade,

Procurando longe aquilo que o domina,

Dinheiro que aos seus lhes dê felicidade,

Com esforço que ninguém sabe nem imagina.

 

As cartas trocadas levam refrigério.

Nós estamos bem… (sabe-se lá), doce ilusão.

O emigrante, em qualquer ponto do hemisfério,

Desdobra-se com esforço, com os seus no coração.

 

Quantas vezes deixando mulher, pais e filhos,

Esfacelado de saudade dos familiares seus,

Cá vai o emigrante para espinhosos trilhos,

Guiado com a sua Fé, crente no seu Deus.

 

António da Costa (Chico)

In “Voz da Queiriga”, Maio 1986

 

 
Escrito por António da Costa   
 
A despedida dum Emigrante
 
I
 
Emigrante leva o terço,
Leva o véu de cor escura.
Quem para tão longe vai
Sem destino certo sai,
A apalpar em noite escura.
 
II
 
Emigrante queiriguense,
Com destino para França,
Ao partir foi despedir-se
Foi pedir com devoção
A Nossa Senhora, esperança.
 
III
 
Portugal, Pátria querida,
Queiriga onde nasci
P’ra muito longe que eu vá
Ai de mim! O que será?
Não me esquecerei de ti.
 
IV
 
Sempre que de ti retiro,
P’ra curta ou longe distância,
Recordações me atormentam,
Dificuldades aumentam
Que me tiram a arrogância.
 
V
 
São tantos seres queridos
Os que, quando parto, ficam!
Só em pensá-los apenas,
Sinto tão grandes saudades
Que bastante crucificam.
 
VI
 
A ti venho Virgem Santa,
Patrona da minha igreja,
Com as lágrimas te peço,
Não me deixes no deserto
Nem morrer em outra terra.
 
VII
 
Ao menos, meus pobres restos
Que venham ter a teu lado!
Sob o teu manto dourado,
Neste teu lugar sagrado,
Espero a vida eterna.
 
O Queiriguense emigrante,
António da Costa (Chico)
In “Voz da Queiriga”,
Setembro 1971